Inovação Aberta: O que é, como funciona e como desenvolver?

Houve um tempo em que as empresas poderiam crescer simplesmente executando seus modelos de negócios tradicionais. Atualmente, a tecnologia, a mudança no comportamento do cliente e as novas alternativas de mercado estão obstruindo os mercados existentes a uma velocidade surpreendente.

Para que as empresas sobrevivam e cresçam nesse ambiente, elas devem desenvolver novos modelos de negócios fora de seus negócios principais, devem aventurar-se no desconhecido.

O problema é que as empresas estabelecidas não estão configuradas para criar novos modelos de negócios. Estas são configuradas para executar modelos de negócios pré-existentes. As pessoas e os processos que as tornam ótimas na execução, tornam praticamente impossível criar novos modelos de negócios disruptivos.

Seus maiores pontos fortes na execução do plano acabam tornando-se sua maior fraqueza. Esse problema ameaça não apenas sua taxa de crescimento, mas também a sua própria existência.

Qual seria a solução para esses problemas? Você encontrará as respostas em nosso Guia da Inovação aberta.

O que é Inovação aberta?

A inovação aberta é um modelo de gerenciamento de negócios para inovação que promove a colaboração com pessoas e organizações de fora da empresa.

Implementando esse modelo de inovação, a empresa reconhece que também existem muitos profissionais brilhantes e com vasto conhecimento fora da sua equipe de colaboradores.

Dessa forma, é possível buscar ideias de fontes externas e internas à organização. Além de compartilhar conhecimento, informações sobre problemas, buscar soluções e sugestões com pessoas de fora da empresa.

Em vez do sigilo e da mentalidade de silo da P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) empresarial tradicional, a inovação aberta convida um grupo mais amplo de pessoas a participar da solução de problemas, desenvolvimento de produtos e serviços nas empresas.

As empresas implementam práticas de inovação aberta de diferentes maneiras, como alianças entre empresas, cadeiras de pesquisa em universidades, feedback de clientes, parcerias, patentes publicadas, agências externas, competições de crowdsourcing e cocriação, e ecossistemas de inovação.

O pai da inovação aberta

Henry Chesbrough é considerado o pai da inovação aberta, por ser a primeira pessoa a utilizar e definir o termo em seu livro “Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology” no ano de 2003.

Para Henry, a Inovação aberta é definida como “o uso de entradas e saídas propositais de conhecimento para acelerar a inovação interna e expandir os mercados para uso externo da inovação, respectivamente”.

De acordo com Chesbrough, “inovação aberta é uma abordagem mais distribuída, mais participativa e mais descentralizada da inovação”. Essa abordagem é uma ótima maneira de acessar conhecimento externo e encontrar novos pontos de vista sobre os negócios. O método descentralizado de realizar inovação traz muitas vantagens para as empresas.

Embora o início da história da inovação aberta seja de séculos atrás, existem  novos paradigmas que estão mudando o cenário de maneira significativa. As empresas estão aproveitando a tecnologia para criar grandes concursos de inovação aberta em que qualquer pessoa do mundo pode se inscrever. Acreditamos que a inovação aberta continuará crescendo à medida que cada vez mais empresas perceberem o seu valor.

Os Tipos de Inovação

Uma forma de categorizar a inovação é classificá-los com base em duas dimensões: a tecnologia utilizada e o mercado em que atua. Para isso, a inovação foi dividida em: disruptiva, radical, incremental ou sustentável. A seguinte matriz permite uma visualização dos tipos mais comuns de inovação: 

Matriz com os tipos mais comuns de inovação: disruptiva, radical, incremental e sustentável

Inovação Radical

A inovação radical vem geralmente acompanhada de uma novidade tecnológica. Essa novidade tecnológica é definida como a possibilidade de receber uma patente, o impacto da inovação, o nível de novo conhecimento tecnológico e novo conhecimento do mercado.

A novidade da inovação é medida através da obsolescência de outros produtos. O impacto nas vantagens competitivas da empresa ou o surgimento de uma nova abordagem de conhecimento para o mercado. 

Como as empresas usaram modelos de negócios radicalmente diferentes para mudar o mercado é descrito por Ostewalder & Pigneur (2009) em seu livro Business Model Generation. A estratégia do “oceano azul” (Kim & Mauborgne, 2005) está relacionada e usa a inovação radical para escapar da competição sangrenta em um mercado atual, o “oceano vermelho”, criando um espaço de mercado aberto no qual a competição é irrelevante.

Estratégias radicais bem-sucedidas baseiam-se na inovação de valor, combinando inovação com posições de utilidade, processo e custo. Valor sem inovação se concentra na criação de valor em um nível incremental, enquanto inovação sem valor é puramente focado em tecnologia ou pioneirismo de mercado muito futurista.

Inovação disruptiva

De acordo com o mestre da inovação disruptiva, Clayton Christensen, as empresas disruptivas podem criar novos mercados transformando não consumidores em consumidores. Inicialmente era utilizado o termo tecnologia disruptiva, que foi então substituída por inovação disruptiva.

Entretanto, raramente a tecnologia é inerentemente disruptiva, mas sim o modelo de negócios utilizado (possibilitado por novas tecnologias) têm um impacto disruptivo na criação de valor das empresas estabelecidas e no posicionamento de mercado.

Para Christensen a disrupção é um processo. O termo inovação disruptiva é erroneamente utilizado quando se refere ao produto ou serviço em um ponto fixo, ao invés de focar na evolução do produto ou serviço com o tempo.

A maioria das inovações, disruptivas ou não, iniciam a vida como experimentos em menor escala. Disruptores tendem a focar em conseguir o modelo de negócios, ao invés de apenas o produto. (Christensen, 2016)

Inovação incremental

A definição de inovação incremental muitas vezes refere-se a uma forma sustentável de inovação. Refere-se ao processo de fazer melhorias ou acréscimos a uma organização, mantendo o produto principal ou modelo de serviço da organização.

Por outro lado, a inovação disruptiva e radical envolve o desenvolvimento e a introdução de inovações que alteram fundamentalmente o modelo de negócios de uma organização e seu mercado circundante. Os seguintes tópicos são parte essencial da inovação incremental:

  •  As culturas de inovação bem-sucedidas desenvolvem a capacidade de importar e explorar o conhecimento externo e estimulam a contribuição criativa de todos os níveis da organização.
  • Os facilitadores estruturais da inovação incremental incluem recursos dedicados para planejamento estratégico, equipes flexíveis e sistemas de comunicação robustos.
  • Práticas inovadoras se envolvem regularmente em varreduras ambientais e gerenciam um processo rotineiro que canaliza novas ideias em um sistema objetivamente fechado para teste, priorização e implementação.

Inovação aberta versus Inovação fechada

Para entender os princípios da inovação aberta, é importante primeiro conhecer os fundamentos da “inovação fechada”. Em um modelo de inovação fechado, o desenvolvimento e a comercialização de novos produtos ocorrem dentro dos limites da empresa. Os recursos são alimentados em um funil de desenvolvimento para que as invenções apareçam no final.

Essa abordagem para gerenciar a inovação foi dominante durante o final do século 20. No entanto, como resultado das mudanças ambientais, as empresas começaram a buscar novas formas de gerenciar o processo de inovação. Resultando no que Henry Chesbrough chama de modelo de inovação aberta. 

O Funil do New Product Development

A diferença fundamental entre os modelos de inovação fechada e aberta é que, no modelo aberto, o know-how e a tecnologia podem passar por fora ou por dentro do funil NPD (New Product Development) ao longo do tempo.

Enquanto um projeto de NPD cancelado é colocado na prateleira no funil de inovação fechado, o funil de inovação aberta permite que o know-how e a tecnologia gerados a partir do projeto saiam e encontrem caminhos externos para o mercado.

Para que as empresas prosperem na era das inovações abertas, elas precisam entender que não contrataram todas as pessoas inteligentes do país. Bem como, não precisam fazer pesquisas para lucrar com isso, e que é imperativo, fazer o melhor uso tanto das ideias internas quanto das externas.

Os principais benefícios da inovação aberta são a capacidade de alavancar o NPD no orçamento de outra pessoa, um maior senso de urgência para grupos internos agirem com ideias e tecnologia. Desse modo, estes tem oportunidade de criar uma cultura mais inovadora de “fora para dentro” por meio de exposição contínua e relacionamentos com inovadores externos.

A adaptação dos princípios de inovação aberta requer proficiência em várias atividades diferentes. Essas atividades incluem: buscar oportunidades, avaliar cada oportunidade, recrutar potenciais parceiros, capturar valor por meio da comercialização e estender a oferta de inovação.

Especialmente porque as empresas muitas vezes treinam seus funcionários para pensar “internamente” introduzindo conceitos introspectivos como competências essenciais, tais como o Stage-Gate e Six Sigma. Uma mudança fundamental é necessária para aumentar o pensamento externo, e a gestão desempenha um papel importante na transição. Em seguida temos a comparação entre o funil da inovação fechada e o da inovação aberta, para melhor compreensão das diferenças entre ambas:

Comparação entre o funil de inovação fechada e o funil de inovação aberta

Os modelos de inovação aberta

As práticas de inovação aberta estão de acordo com a diversidade de formas utilizadas na transferência de conhecimento. Em suma, inbound e outbound, também conhecidas como outside-in e inside-out, respectivamente.

Na inbound, o conhecimento flui do ambiente externo para a empresa local. Na outbound o conhecimento desenvolvido internamente flui na direção do ambiente externo.

A inovação aberta Inbound e outbound são designados de várias maneiras, por exemplo: principais processos de inovação aberta na gestão de P&D; dimensão quanto à direção do fluxo de conhecimento em relação à firma; e também tipologia de inovação aberta.

Em um ambiente de inovação aberta é essencial que as empresas desenvolvam vários recursos dinâmicos para gerenciar seus recursos de forma eficaz, tanto interna quanto externamente.

Convencionalmente, no contexto inbound, há ênfase na capacidade de absorção, mas à medida que as empresas começaram a se interessar cada vez mais em vender sua tecnologia como forma de inovação outbound.

As pesquisas sobre inovação aberta evoluíram para considerar principalmente o processo inbound, estudar o processo outbound e enfatizar a necessidade de capacidades diversas de conhecimento.

Inbound

O modo de inovação aberta Inbound é colocado em prática para que a empresa possa melhorar seu desempenho em inovação interagindo com diferentes parceiros. Principalmente fornecedores, clientes, concorrentes e organizações de pesquisa. Abrir o processo de inovação para fornecedores, clientes e concorrentes é uma consideração importante para a IA (Inovação Aberta).

O desempenho da Inovação aumenta com a amplitude e profundidade da pesquisa externa, ou seja, com a diversidade de fontes externas de informação; tais como fornecedores e clientes e sua intensidade de uso. Além disso, as colaboração com institutos de pesquisa e universidades afetam positivamente o desempenho da inovação de produtos.

Juntamente com as colaborações de fornecedores, concorrentes e universidades, o licenciamento interno é uma das práticas mais usadas para aquisição de tecnologia externa.

Confiar em tecnologias externas já desenvolvidas permite que uma empresa melhore sua inovação e desempenho financeiro. Por exemplo, diminui o tempo de desenvolvimento de novos produtos e melhora sua vantagem preventiva ou limita as vantagens de um concorrente.

Outbound

A prática de outbound é cada vez mais considerada como uma atividade estratégica pelas empresas, que podem lucrar com suas próprias inovações sem investir em ativos complementares.

As empresas buscam alavancar externamente seu conhecimento tecnológico, gerando receitas adicionais, por meio de várias formas contratuais. Por exemplo, acordos de licenciamento, spin-offs ou vendas de tecnologia.

Além de licenciar, qualquer ativo de conhecimento pode ser vendido, aumentando os resultados financeiros das empresas. Por exemplo, o desinvestimento de unidades da empresa não inclui apenas a venda de uma divisão, unidade de negócios, linha de produtos ou subsidiária da empresa, mas também a transferência de conhecimento.

Essas políticas aceleram a comercialização da inovação e também proporcionam ao beneficiário vantagens sobre potenciais rivais. 

Coupled

O coupled refere-se à co-inovação com parceiros complementares por meio de cooperação estruturada, como alianças e joint ventures. As empresas que decidem usar essas práticas de IA estão envolvidas em um conjunto de relacionamentos interfirmas. Estes são essencialmente um padrão cooperativo para que P&D obtenha e forneça know-how complementar.

As colaborações interorganizacionais de P&D permitem que as empresas examinem seu ambiente em busca de novas janelas de oportunidades e tecnologias. As redes de colaboração tecnológica, P&D e alianças de fabricação, entre outras, são de importância crucial para alcançar um maior grau de novidade na inovação de produtos

As patentes colaborativas (co-patentes) são definidas como patentes com mais de um cessionário. O processo de co-patenteamento requer colaborações que podem ocorrer entre diferentes atores, bem como múltiplas ligações de diferentes entidades.

Ao desenvolver a co-patente, as empresas melhoram o desempenho inovador e financeiro. Pois, reduzem os custos e os prazos de desenvolvimento de novas patentes, aumentando a qualidade tecnológica e a adaptabilidade ao mercado dos resultados da inovação.

Como desenvolver inovação aberta na sua empresa

A inovação aberta está constantemente mudando e evoluindo à medida que mais e mais empresas embarcam nessa estratégia. Empresas com programas internos tradicionais de P&D estão começando a perceber as limitações de não estarem abertas a ideias externas. Até mesmo abrir só um pouco as cortinas já deixará um pouco de luz entrar.

Para adotar uma abordagem de inovação aberta em uma empresa é importante criar uma estratégia para poder tirar o máximo proveito dela. Algumas empresas aprenderam, da maneira mais difícil, que um planejamento aprimorado é necessário quando se trata desse tipo de inovação. O recomendado é fazer uma análise cuidadosa para encontrar a abordagem de inovação aberta que funcione melhor para sua empresa.

A Inovação Aberta está se tornando parte essencial numa estratégia de inovação empresarial. No entanto, muitas vezes, as empresas se concentram em obter um conjunto restrito de atividades táticas. Porém, sem pensar nas questões estratégicas e organizacionais necessárias para permitir que essas atividades tenham o impacto pretendido.

Hoje em dia muitas organizações estão fazendo investimentos e progressos consideráveis ​​no desenvolvimento de uma cultura de Inovação Aberta (IA), para aprimorar suas capacidades internas de inovação corporativa. IA envolve identificar e usar ideias, tecnologias ou inovações de partes externas a uma organização.

Também envolve trabalhar efetivamente além da fronteira que existe entre uma organização e o ecossistema de inovação externo. A gestão de IA busca otimizar os fluxos de entrada e saída de inovação através desse limite para criar valor.

As empresas muito funcionais e orientadas para a inovação têm processos internos e capacidades bem estabelecidos. Deste modo, elas trazem inovações com as fases tradicionais de pesquisa, desenvolvimento e comercialização.

Esses recursos internos de inovação existentes podem e devem ser ampliados com atividades de IA. Pois, elas irão alavancar atividades de inovação externa, de forma sinérgica com os esforços internos de inovação. O modelo de inovação aberta ilustrado no livro “Novas Fronteiras da Inovação Aberta” de Henry Chesbrough demonstra como isso ocorre:

Modelo de inovação aberta de acordo com o livro de Chesbrough

Métodos de Inovação aberta

Crowdsourcing

As relações interorganizacionais sempre foram a marca do uso externo da inovação e da cocriação de valor. Pois, frequentemente envolvem a colaboração de pessoas e equipes com experiência em diferentes domínios.

No entanto, esses relacionamentos podem ser vistos como diferentes estágios de inovação aberta. A troca de conhecimento e o engajamento colaborativo com entidades externas, que já são conhecidas da rede da empresa, podem ser percebidos apenas como um estágio inicial no processo de desenvolvimento da inovação aberta. 

No crowdsourcing você aloca grande parte da responsabilidade pelo engajamento e supervisão do processo de inovação fora da empresa. O que geralmente ocorre é a empresa apresentar um tema, pergunta ou desafio e, em seguida, contrata ou incentiva pessoas de fora da empresa a apresentar ideias ou soluções.

Para facilitar o crowdsourcing, você precisa ter um ambiente altamente intuitivo onde colaboradores externos possam criar e desenvolver ideias juntos. Para que o processo de inovação não exija gerenciamento constante, o ambiente deve ser fácil de usar e envolvente. Isso pode ser feito através de uma ferramenta de gerenciar ideias ou de uma solução própria da empresa.

O crowdsourcing pode ser econômico no sentido de que a empresa facilitadora normalmente paga apenas pelos resultados. Também é rápido, pois oferece a possibilidade de engajar públicos grandes e relevantes sem viés para a empresa. Além de ser flexível devido à ampla gama de possibilidades de engajamento. Em suma, o crowdsourcing é uma ótima maneira de obter diversas ideias de qualidade.

Open Innovation Lab

O open innovation lab é um espaço de trabalho facilitado internamente e financiado à parte para inovação. Deste modo, anulam-se as rotinas e processos do dia-a-dia da empresa.

No geral, as pessoas que participam deste laboratório são uma equipe composta por funcionários e recém contratados com a ajuda de alguns colaboradores externos. A missão da equipe pode variar, desde encontrar soluções direcionadas para problemas específicos até imaginar novas maneiras de melhorar os sistemas existentes.

Em síntese, hospedar um laboratório de inovação aberta consiste em fornecer um local, onde os participantes escolhidos trabalhem de forma colaborativa para criar e desenvolver produtos ou serviços. Bem como, garantir o custeio para o projeto e informar aos participantes que eles foram aceitos para fazer parte dele.

Technology Scouting

O Technology Scouting é uma tática de IA que envolve a alocação de funcionários para buscar oportunidades de licenciamento de tecnologia para uma área de interesse estratégica.

Tech scouting é um termo amplo e pode incluir muitas das atividades incluídas em outras estratégias. Consideramos tech scouting como: equipes internas que buscam oportunidades de licenciamento com parceiros acadêmicos, governamentais ou privados sem fins lucrativos.

Devido ao baixo custo e alta taxa de retorno, o tech scouting é uma das estratégias de IA mais amplamente aplicadas. No entanto, a composição interna da empresa pode afetar o funcionamento do programa.

Quando os recursos são limitados, as equipes de reconhecimento são mais propensas a pesquisar dentro de seus limites industriais conhecidos. O que, as tornas mais propensos a alcançar a inovação incremental, em comparação com a inovação radical.

Alternativamente, quando os recursos estão disponíveis, as unidades de reconhecimento conseguem expandir suas atividades para novas áreas e buscar resultados de inovação mais radicais.

Hackathon

O hackathon também é um modelo de crowdsourcing visando utilizar e estimular inovação entre grupos com diversas origens. Nesse sentido, estes aprendem uns com os outros, compartilham conhecimento e trabalham em direção a um objetivo comum.

Além disso, outras características do método hackathon podem ser listadas como: focando em um problema específico, desenvolvendo uma solução via técnicas de design thinking, apresentando a solução para os participantes, coletando feedback rápido e alterando rapidamente o design do protótipo.

Hackathons podem ser anunciados com nomes diferentes, incluindo codefest, hackfest, codeprint e design sprint. Constantemente os hackathons são focados no desenvolvimento de software, alguns também focam no desenvolvimento de hardware.

Devido a recursos limitados, esses desenvolvimentos de hardware geralmente não vão além da simulação ou a emulação inicial. Hackathons podem ser categorizados como centrados em tecnologia ou centrados em foco.

Open Idea Ecosystem

Um ecossistema de ideias abertas é basicamente um ambiente fixo para inovar com clientes, parceiros ou outros especialistas da área. Esse método não é tão cirúrgico quanto um desafio de inovação aberta. Entretanto, ele requer menos supervisão, o que o torna menos oneroso a longo prazo.

Muitas empresas possuem sua própria solução interna, como uma página web com um processo interno de filtragem e desenvolvimento de ideias. Alternativamente, um software de gerenciamento de ideias dedicado pode facilitar, uma plataforma onde as ideias podem ser adicionadas e desenvolvidas com supervisão administrativa da empresa.

Aceleração de Start-up

Os programas de aceleração corporativa são baseados na ideia geral e conceito de incubação, que visa acelerar o crescimento de young ventures através de vários serviços de apoio. Desse modo, os programas são baseados no modelo de aceleradores comerciais, mas são executados por ou em nome de uma empresa estabelecida. 

Nos programas de aceleração corporativa incumbente e startups externas colaboram para avançar no desenvolvimento de produtos. Assim, criando empreendimentos, usando recursos complementares ativos.

Durante um curto período, geralmente de três a seis meses, os titulares auxiliam um lote de startups com formação, financeiro, networking e mentoria de oportunidades. Após uma duração fixa, o programa culmina em um evento de pitch público. 

Innovation Outpost (Posto Avançado de Inovação)

Em meados de 2010, o ciclo da tecnologia mudou de fase. Os laboratórios internos de P&D trabalhavam em ritmos lentos demais para acompanhar as invenções dos mercados externos. Por conta disso, ao longo desses anos, perceberam que o capital de risco envolvia um tempo de entrega longo demais para que os investimentos para tecnologia interna fossem recompensados.

Portanto, fez-se necessário criar estratégias diferentes para enfrentar esse ritmo de inovação ainda mais acelerado do que os anos anteriores. Assim, as empresas criaram uma estrutura organizacional, chamada Innovation Outpost (Posto Avançado).

Innovation Outpost pode ser definido como: equipes internas localizadas em ecossistemas empresariais que podem ajudar empresas a gerenciar sua inovação aberta. No geral, as empresas colocam postos avançados no centro da fonte de inovação: ecossistemas de startups.

Um posto avançado de inovação é um local dedicado a promover a inovação onde pesquisa e desenvolvimento (P&D) é a principal ordem de negócios. Além de um centro de P&D, também é um ponto de encontro para colaboração e compartilhamento de novas tecnologias e ideias.

O mestre da inovação

De acordo com Steve Blank, considerado um mestre da inovação, as empresas fazem postos avançados para sentir e/ou responder às mudanças tecnológicas que estão acontecendo atualmente.

  •  Sentir significa monitorar o desenvolvimento de inovações em potencial que podem se tornar ameaças ou permitir que a empresa seja disruptiva;
  •  Responder significa Inventar, Investir, Incubar, Adquirir ou Associar;

​​Startups em ecossistemas corporativos, como a Silicon Valley (Vale do Silício), constantemente geram potenciais tecnologias disruptivas e modelos de negócios. Consequentemente, empresas multinacionais estão descobrindo ser essencial estar conectadas aos ecossistemas onde essas oportunidades estão surgindo. Isso gerou uma tendência global de colaboração entre grandes multinacionais com startups inovadoras.

A criação de postos avançados de inovação em clusters globais de tecnologia é muito popular entre as grandes empresas multinacionais. A lógica é que, se você estiver presente onde novas tendências, ideias, talentos e startups são gerados, poderá reconhecê-los e assimilá-los no pipeline de inovação de sua empresa. Convencidos de que esse plano funcionará, as empresas realizam um investimento e criam seus centros de inovação.

O teatro da inovação

Primeiramente, é relevante que estas empresas percebam que estar próximo da ação não garante fazer parte da ação. Existem inúmeras razões que causam a ineficiência dos postos avançados. Na maioria das vezes isso acontece devido ao isolamento dos postos avançados e seu distanciamento do resto da empresa.

Assim, mesmo que os postos avançados consigam absorver valor local, geralmente não conseguem propagá-lo de volta para a organização, o que significa que falham na sua missão principal.

Há muitas empresas que criam postos avançados de inovação, porém eles não são bem desenvolvidos estrategicamente. Para Blank o que ocorre é uma forma de teatro de inovação.

Para os colaboradores e para o mercado externo parece que a empresa está inovando. Entretanto, na prática, há pouquíssimos postos avançados que realmente mudam os produtos da empresa ou causam grande impacto em seus resultados.

Ele afirma que as empresas precisam planejar uma estratégia efetiva do início ao fim. Para isso sugere algumas ferramentas para desenvolver uma boa estratégia de Innovation Outpost:

  • Determinar se criar um posto de inovação é necessário.
  • Planejar como estabelecer um posto avançado de inovação.
  • Decidir como expandir o posto avançado

A sombra da inovação de teatro e como evitá-la

O Innovation Theatre refere-se a qualquer trabalho de inovação feito para mostrar às pessoas que a inovação está acontecendo. Porém, não resulta em um resultado tangível. Infelizmente, muitas empresas nem percebem que têm esse problema.

Em alguns casos, porém, eles estão muito conscientes disso e consideram a atividade boa para marketing e branding, mesmo sabendo que não produzirá nenhum resultado. 

Os problemas que levam ao teatro de inovação podem ser muito complexos e não devemos subestimar o impacto que eles têm ao nível organizacional. Muitas vezes, as primeiras iniciativas de inovação a serem realizadas devem ser inovações organizacionais. Dessa forma você poderá ter uma base sólida para futuros esforços de inovação.

Segundo Steve Blank, para evitar o teatro de inovação, as empresas devem usar um processo de decisão passo a passo para determinar o papel que o Innovation Outpost desempenhará.

Quando as equipes executivas estreitam o foco, podem começar a ver onde estão as oportunidades mais aproveitáveis. Possibilitando assim determinar o impacto de seus esforços de inovação desejados. A seguir estão algumas das perguntas a serem feitas:

Gráfico com as seis perguntas para fazer antes de estabelecer uma inovação de posto avançado

Como criar um posto avançado de sucesso

Os corretores geralmente são indivíduos únicos, agindo como uma ponte de um grupo para outro. Eles atendem às necessidades de grupos diferentes, e não às suas próprias. Os corretores eficazes estão altamente conectados à sua rede corporativa interna e ao seu ecossistema empresarial local.

Para preparar o terreno para postos avançados de inovação bem-sucedidos, as multinacionais devem:

  • Definir um propósito claro e adaptável. 

Primeiramente, as empresas não devem criar um posto avançado de inovação apenas porque seus concorrentes estão fazendo isso. Antes de tudo, o objetivo claro também deve ser adaptável, dependendo de como o posto avançado evolui.

  • Definir a arquitetura certa para o posto avançado e a sede.

Além disso, os corretores eficazes devem se envolver com equipes de suporte próximas da sede. Assim, podem direcionar o desenvolvimento de protótipos ou construir o case de negócios para colaborações. 

  • Estabelecer processos relevantes. 

Para A.G Lafley, o propósito estratégico é como a fachada de um edifício, os processos e a cultura são seu encanamento e fiação. Alguns processos necessários são:

– Empurrar ideias externas do ecossistema para a sede;

– Puxar problemas das unidades de negócios para buscar soluções externas; 

– Garantir o comprometimento de vários níveis da organização.

  • Incutir uma cultura de colaboração e humildade. 

À medida que as multinacionais estabelecem postos avançados de inovação, elas devem se perguntar se estão realmente prontas para se engajar na inovação aberta. É uma via de mão dupla.

Os três estágios de um posto avançado de inovação

De acordo com Blank, os Postos Avançados de Inovação de sucesso geralmente se desenvolvem em três estágios. Na primeira fase, o Posto Avançado se concentra em redes e parcerias no Cluster de Inovação em que está sediado.

Na segunda fase, a equipe progride inicia-se a fase de Investir, Inventar, Incubar e Adquirir tecnologias e empresas. Por fim, a terceira fase seria o momento de construir produtos.

É importante ressaltar que cada um desses estágios precisa de objetivos claros e de uma equipe adequada para alcançar esses objetivos definidos. Para facilitar o entendimento ilustraremos os três estágios da inovação de postos avançados a seguir:

Os três estágios dos postos avançados da inovação corporativa

Conclusão

Após ler e refletir sobre as análises, variáveis, modelos e tipos de inovação aberta podemos concluir que atualmente é inevitável participar dos ciclos de inovação em empresas ou em ecossistemas. Para continuar relevante no mercado atual é necessário estar atualizado sobre todas as tecnologias que surgem, e o mais importante, prever o surgimento de novas tendências e estar a frente das descobertas tecnológicas.

A inovação aberta é uma estratégia de negócios que beneficia diversas empresas, gera colaborações em inúmeros setores da indústria, inventam produtos e serviços únicos, que não seriam descobertos, e muito menos criados, sem a utilização dos métodos da IA.

Neste guia trouxemos os maiores estudiosos, professores e mestres da inovação, com o objetivo de facilitar os estudos e pesquisa das pessoas que querem revolucionar a sua empresa, com as estratégias mais utilizadas, testadas e aprovadas em inovação aberta.

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